PT MORDE E ASSOPRA AÉCIO NEVES

Amor e ódio são duas paixões inseparáveis. Na política, elas transcendem a tênue fronteira em velocidades siderais.

No episódio em que o Supremo Tribunal Federal (STF) pede o afastamento do senador Aécio Neves, eis que o PT coloca-se na defesa do tucano.

Defesa, em parte. A nota da Executiva Nacional do PT (veja aqui), com 16 parágrafos, dedica apenas três em repúdio à decisão do STF de afastar o tucano.

Os demais são 13 mordidas que estraçalham a vida e a carreira do propineiro-mor da tucanagem.

Mas, é importante observar que o PT age por instinto de sobrevivência, em um movimento combinado que reúne também o PMDB e o PSDB. Estes partidos formaram um pacto para impedir que o STF arraste para a lama outros senadores.

Daí a defesa de Aécio Neves pelo petismo, condenando a intervenção do Judiciário em assuntos do Senado. Diz a nota do PT:

” … a resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal.

Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisã é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição.

O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições oriundas do voto popular.”

Paralelamente à nota, o PT deflagrou o processo de cassação do mandato de Aécio Neves no Conselho de Ética (veja aqui).

Todos sabem que o processo não vai andar, porque o Conselho de Ética tem o senador João Alberto (PMDB) na presidência, conhecido nos corredores do Congresso Nacional como “engavetador-geral” dos pedidos de investigação dos seus parceiros.

Assim, o morde e assopra do PT serve para deixar tudo como está. Estraçalha Aécio Neves em uma nota com gosto de sangue, mas já considera o tucano um cachorro morto.

De concreto, o que existe é um pacto entre PT, PMDB e PSDB formando uma couraça para proteger todos, indistintamente.

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